domingo, 17 de março de 2013

Grupo de Estudos sobre o Processo de Urbanização na Zona Norte de Natal

Autores: Cleonice Silva da Paz;
              Edcarlos Medeiros;
              Leonardo Galindo

       O Blog Espaço Urbano em Movimento tem o objetivo de estudar o processo de urbanização e industrialização na Zona Norte de Natal, principalmente na área conurbada dos bairros de Igapó (Natal), Jardim Lola (São Gonçalo) e Amarante (São Gonçalo).
         Partindo de um contexto histórico, trazendo o bairro de Igapó  era a antiga (Aldeia Velha), morada do índio Potiguassu Felipe Camarão. Seu processo de povoamento começou a se intensificar em 1916 quando foi construída pelos ingleses a Ponde do Potengi Presidente Costa e Silva, mais conhecida como a ponte de Igapó, tendo sua estrutura toda de ferro e de mão única.
            Naquela época, o tráfego  a seguinte forma: ficava um fiscal controlando o trânsito da antiga corrente que hoje dá acesso de quem vem sentido centro/zona norte próximo ao Bairro Nordeste e um segundo guarda controlando a entrada e saída dos veículos no sentido Igapó/centro próximo onde hoje é o Bairro Salinas.
           Em 1970 foi construída uma parte de concreto, tendo duplicação em 1988.
          Natal possui trinta e seis bairros, sete pertencentes a Zona Norte  que tem uma população de 302.333 habitantes, correspondendo a quase 38% da população de Natal e  77.205 domicílios (IBGE, 2010).


Referências:
Livro Retrato Narrado da Cidade do Natal. Autor: Marcus Cesar Cavalcante de Moraes. Natal (RN): Sergraf, 1999.

Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ponte_de_Igap%C3%B3
Cidade do Natal: http://www.natal.rn.gov.br/semurb/paginas/File/Publicacoes/Natal_em_Dados.pdf

A Urbanização da Zona Norte de Natal

            Fonte: Google Earth 2013
                                        ____ Distrito Industrial de Extremoz
                                                        
           O processo de ocupação humana da Zona Norte de Natal  começa a se intensificar com a construção da primeira ponte sobre o Rio Potengi e a construção da linha férrea ligando a região ao restante da cidade. Esse processo ganha força na década de 1970 quando  o governo militar promove ações de desconcentração industrial com o objetivo de levar as indústrias para outras regiões do país visando o "desenvolvimento". Nesse contexto muitas fábricas como a Guararapes, Coteminas, Vicunha,  Café Santa Clara, Ambev, etc., estimuladas pelos incetivos fiscais instalaram-se nas imediações de Natal constituindo o que é hoje o distrito industrial de Extremoz. A vinda dessas empresas para o Rio Grande do Norte tem provocado grandes transformações no espaço potiguar.
                                      
         
          Com a chegada dessas indústrias são construídos na Zona Norte de Natal alguns bairros de operários como Pajuçara e Potengi. Com isso, intensifica-se o processo de urbanização da região, que vinha ocorrendo desde a construção da linha férrea sobre o rio Potengi, construída para transportar mercadorias de Natal até a região salineira de Macau e receber o sal produzido de lá (CAVALCANTE DE MORAIS, 1999). A criação da linha férrea, bem como do distrito industrial de Extremoz e de outras obras de infraestrutura como a  a ponte de Igapó na década de 1960 e sua ampliação na década de 1980 atraíram um grande número de pessoas para a região, devido também ao preço da terra, que embora valorizada pelo crescimento industrial e presença de infraestruturas, era mais barata que em outras regiões da Capital.
          Uma das principais indústrias a se instalar na região devido aos incentivos fiscais promovidos foi a Coteminas. Foi construída  no limite entre São Gonçalo do Amarante e Natal em 1967, numa área de 885 mil m2. (fonte). A Coteminas é uma empresa voltada para a produção têxtil e no auge de sua produção empregava 2000 pessoas.

                                             Coteminas - Zona Norte (10-03-2013)

                                          Coteminas - Google Earth 2013



          A construção da Coteminas foi um dos fatores de grande atração populacional na região. Por se localizar no limite entre dois municípios acabou sendo uma das principais indutoras do processo de conurbação - fenômeno Urbano onde duas cidades se unem, constituindo uma única malha urbana, como se fossem uma única cidade - (BRASIL ESCOLA, 2013) .

conurbação - (GOOGLE EARTH 2013)

       O crescimento populacional verificado nos últimos anos na Zona Norte de Natal (incluímos os bairros do Amarante e Jardim Lola pertencentes a São Gonçalo) tem provocado uma demanda crescente de serviços, como Shoppings Centers, agencias bancárias, escolas de Idiomas, escolas técnicas (IFRN, dentre outras), supermercados, lojas de atacado, hospitais públicos e privados e serviços de esgotamento sanitário em alguns bairros como Jardim Lola e Igapó,etc.
        
     

                                          Banco Itaú Av. Tomáz Landin - 12/03/13



 Bradesco Av. Tomáz Landin 12/03/13


Hospital Zona Norte (alto) Av. Tomáz Landin 12-03-13

Caixa Econômica Federal  - Av. Tomáz Landin 12/03/13


Escola de idiomas - Av. Tomáz Landin 12/03/13

 Banco do Brasil - Av. Tomáz Landin 12/03/13

Esgotamento Sanitário - Igapó (rua Isabel de Brito Lima) 12/03/13


Esgoto a céu aberto - Igapó (rua Isabel de Brito Lima) - Embora conte com o serviço de saneamento básico, apenas 52% das  residências do bairro estão conectadas a rede coletora de esgoto. (ANUÁRIO NATAL 2011-2012 -PREFEITURA DE NATAL). A maior parte desse esgoto provêm das vilas de aluguel, bastantes comuns no bairro.

Supermercado Nordestão - Gancho do Igapó  - 12/03/13


Shopping Center - Av. João Medeiros Filho (estrada da Redinha) - 10/03/2013
                   

          O vídeo a seguir foi feito dentro de um ônibus em movimento e  mostra a saída da Zona Norte em direção a Zona Sul da capital. O espectador atento perceberá que pouco antes de chegar a ponte vemos  a comunidade do Bairro Salinas que mora praticamente na cabeceira da ponte. Neste bairro moram pouco mais de 1000 pessoas de acordo com o  último censo do IBGE. É o bairro com altos índices de violência e pobreza e com os índices de analfabetismo mais altos do capital, cerca de 25% de acordo com o Anuário Natal de 2011.
             Em seguida percebe-se a antiga ponte de ferro, a linha férrea e a outra faixa da ponte de igapó. A filmagem foi feita por volta das 15:30 da tarde do dia 21 de março, por isso o trânsito está fluido. Saindo da Zona Norte podemos perceber que a linha férrea está construída sobre uma elevação. Observando mais atentamente vemos que por trás dessa elevação há muitas casas, construídas dentro do mangue: a conhecida "favela do mosquito".
               Esse vídeo nos mostra uma importante característica de Natal: as comunidades mais pobres estão  escondidas. Podemos perceber assim que a cidade tem uma diversidade de formas e é extremamente desigual, sendo que muitas pessoas não tem acesso a moradia e serviços de qualidade. O fato dessas comunidades passarem despercebidas é ainda mais preocupante, uma vez que se passa a ideia de que não há pobreza em Natal e com isso a população não cobra dos governantes e nem toma outras providências que busquem uma cidade mais igualitária, já que não há um "incômodo visual" dessas comunidades.

                                                  
video





sexta-feira, 15 de março de 2013

Congestionamentos

         Devido ao acelerado crescimento urbano, a Zona Norte vem apresentando atualmente alguns problemas comuns as grandes cidades como os congestionamentos. Com a crescente motorização provocada pela facilidade de crédito, redução do IPI, falta de consciência da população e ausência de investimentos em transporte público formam-se grandes congestionamentos na saída da Zona Norte, principalmente na ponte de Igapó, Av. Tomáz Landin e Av. João Medeiros Filho. Hoje, a frota de automóveis em Natal, São Gonçalo do Amarante e Extremoz chega a 200.961 veículos  (DETRAN, 2013).

Av. João Medeiros Filho, Túnel de Igapó 12/03/13 ás 7h 30min

Túnel de Igapó 12/03/13 ás 7h 35min

Proximidades da Ponte do Igapó  - 12/03/13 7h 45min

quarta-feira, 13 de março de 2013

A saída da Indústria e o crescimento dos serviços - Perspectivas Futuras

          O crescimento urbano que vem ocorrendo na Zona Norte vem alterando significativamente o espaço na região. Com o aumento dos serviços já mencionados a Zona Norte vem passando por um forte processo de valorização da terra. Esse processo vem intensificando-se com a construção do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, previsto para estar pronto antes da Copa do Mundo de Futebol em 2014. Como resultado desses processos a região passou a atrair investimentos do mercado imobiliário. Podemos citar como exemplo a saída da fábrica Coteminas da Av. Tomáz Landin. No local, o Grupo Coteminas pretende investir R$ 1,1 bilhões na construção de um complexo residencial com capacidade para abrigar 12 mil pessoas, além de um Shopping Center com 300 lojas, hotel com 720 apartamentos, centro comercial, de convenções, de artesanato e teatro. Espera-se que seja concluído em 4 anos. (TRIBUNA DO NORTE,  25/02/2012).

FONTE: TRIBUNA DO NORTE, 2012 - FUTURO COMPLEXO RESIDENCIAL NA ZONA NORTE

          Após o anúncio de grandes empreendimentos, políticos, empresários e a mídia alardeiam o número de empregos gerados e o "desenvolvimento" que tal projeto trará ao bairro, região ou cidade. No projeto citado, espera-se criar 5 mil empregos diretos na construção e 6 mil na fase de operação. (TRIBUNA DO NORTE , 2012). No entanto, devemos pensar além desses números e fazer-nos alguns questionamentos: o desenvolvimento tão comentado irá beneficiar a quem? aos atuais moradores da região? terão eles acesso a escola, creche, posto de saúde, parque ecológico e teatro que estão previstos no projeto? serão eles os beneficiados com os empregos criados?

          Tomando como exemplo outros grandes projetos construídos no Brasil podemos prever duas possíveis situações resultantes desse empreendimento: na primeira situação o complexo residencial e comercial poderá se constituir como uma ilha de riqueza, sem provocar o esperado desenvolvimento local. A segunda hipótese levantada e a que achamos mais provável é de que a construção do complexo residencial é um dos fatores que mais contribuirão para a elevação do preço da terra e do custo de vida no lugar. Consequentemente a população pobre não terá condições financeiras de permanecer no bairro/s e será tentada a vender sua residência em virtude dos altos preços dos imóveis, e migrará para outro local. Como resultado desse processo, em 10 ou 20 anos a população residente nos bairros Igapó, Jardim Lola e Amarante será em sua maioria composta pela classe média, tendo os bairros citados, altos índices de desenvolvimento humano e concentração de serviços e equipamentos urbanos, sendo vendida a ideia de que os bairros se desenvolveram devido a esses empreendimentos, quando na verdade ocorre um processo de "limpeza" da população pobre.